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O artigo publicado em 2022 “Diagnostic Accuracy of Bedside Lung Ultrasound in Emergency Protocol for the Diagnosis of Acute Respiratory Failure” (Journal of medical ultrasound) destacou alguns pontos sobre a performance do protocolo BLUE, já utilizado há muitos anos, na avaliação de insuficiência respiratória aguda.

O exame pode ser realizado através do escaneamento de 4 regiões pulmonares principais – anterior superior, anterior inferior, ponto frênico (linha axila anterior à altura do mamilo) e ponto dinâmico na linha axilar posterior (avaliação de todo o tórax nessa linha), sendo esse último o local para identificação da síndrome alveolar posterolateral (PLAPS). Descrito na literatura e em artigos de validação utilizando o transdutor microconvexo, na prática ele pode ser realizado com o transdutor convexo (baixa frequência), reservando o transdutor linear (alta frequência) para momentos em que for necessário melhor definição pleural, como na avaliação de deslizamento pleural.

Para a correta aplicação do protocolo, conforme o fluxograma da imagem, você deve ser capaz de identificar os seguintes padrões pulmonares:

  • Pulmão A: é a imagem normal, ou seja, com deslizamento pleural presente e linhas A. Pulmão A em um paciente com insuficiência respiratória aguda sugere doenças obstrutivas (ASMA e DPOC) ou tromboembolismo pulmonar (sobretudo se associado à trombose venosa profunda);
  • Pulmão A´: é a imagem com linhas A, mas sem deslizamento pleural, sendo um padrão sugestivo de pneumotórax. Como outras condições também podem gerar ausência de deslizamento, o ponto pulmonar – ou lung point – é o achado ultrassonográfico que confere especificadade maior para o diagnóstico de pneumotórax;
  • Pulmao B ou perfil B: presença de linhas B patológicas (3 ou mais por espaço intercostal) dispostas de forma simétrica entre os hemitórax e com progressão apical-cauldal, sugerindo edema agudo pulmonar;
  • Pulmão A-B, B´ e C: a presença de pulmão B de forma assimétrica (A-B), ausência de deslizamento pleural mas com linhas B (B´) ou consolidações pulmonares sugerem, em um cenário clínico de evolução aguda, pneumonia. O mesmo para o achado de síndrome alveolar posterolateral na avaliação torácica posterior.

Alguns resultados descritos na literatura recente sobre o protocolo:

  • Acurácia de 95,38% para edema agudo pulmonar;
  • 100% para pneumotórax;
  • 93,85% para pneumonia;
  • 96,92% para DPOC;
  • 99,23% para TEP.

Concluimos que o protocolo BLUE é viável, facilmente implementável na unidade de terapia intensiva e outros ambientes de saúde respiratória.

Referência Bibliográfica:

Diagnostic Accuracy of Bedside Lung Ultrasound in Emergency Protocol for the Diagnosis of Acute Respiratory Failure (Journal of medical ultrasound), 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35832369/.

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